Quando o assunto é assistência em saúde, o desejo de todo brasileiro é o mesmo: que ela seja rápida e eficiente. A boa notícia é que uma mudança simples que ocorreu em junho no estado de Goiás já vem demonstrando resultados surpreendentes. Os dados da Regulação de Acesso das regionais de saúde Sudoeste I e II demonstram que com a parceria firmada entre o Complexo Regulador Estadual (CRE), órgão da Secretaria de Saúde (SES-GO), e a Central de Regulação de Rio Verde, os pacientes estão sendo atendidos com transparência e mais rapidez.

Foram mais de 1300 pessoas impactadas em menos de dois meses com um tempo médio de avaliação por um médico regulador do CRE de apenas 8 minutos. “É preciso imaginar o que isso representaria se fosse dessa forma em todo o Estado, com a Regulação de Acesso totalmente unificada no CRE. Quantas vidas poderiam ser salvas graças a agilidade do Complexo Regulador”, provoca Genésio Pereira do Santos, diretor técnico do órgão estadual.

A Regulação

Na prática, Regulação de Acesso é a ordenação entre a demanda dos pacientes por leitos, cirurgias, exames e consultas e a oferta disponível no SUS. O grande objetivo do estado de Goiás com o CRE é o de unificar as demandas de regulação no Complexo Regulador para que ele possa agir como um ordenador das solicitações de vagas em fila única e em respeito aos critérios de redes de atendimento e classificação de risco.

Neste momento, o órgão estadual responsável por isso, o CRE, está realizando a regulação dos leitos de UTI para urgência e emergência. Mas a previsão é que passe a fazer a regulação de todos os serviços em breve.

Resolutividade

A resolutividade através do CRE, ou seja, a quantidade de leitos solicitados e atendidos teve um aumento de 32% nesses pouco mais de dois meses. Antes dessa parceria ser firmada, a Central de Rio Verde utilizava quatro sistemas diferentes para a regulação de um pedido. Isso gerava repetição, burocracia e um tempo de espera maior.

Desde a implementação do SERVIR – Sistema Estadual de Vagas Integradas à Rede, alguns problemas ficaram no passado. O SERVIR é a plataforma desenvolvida pelo CRE com o objetivo de unificar as solicitações de todo o estado.

“Aqui na região Sudoeste I a adesão ao SERVIR foi de 100%. Agora o município tem a resposta da solicitação através do CRE. Então, na prática, o médico do Complexo Estadual fala diretamente com o nosso médico na ponta. A viabilização da vaga se torna muito mais fácil e transparente por conta dessa facilidade na comunicação”, explica a diretora da Central de Rio Verde, Ana Cláudia Lira.

Dados para análise

Por fazer uso de sistemas diferentes, antes do SERVIR, a Central de Rio Verde não tinha como reunir os dados e apresentar resultados como tempo médio de resposta – uma informação fundamental para compreender os gargalos da regulação e solucioná-los estrategicamente.

Tomando por exemplo o Hospital Municipal de Rio Verde, foram 591 regulações para a Unidade desde que o SERVIR passou a ser usado pela Central de Rio Verde. Mas o sistema também ajudou a regular 373 pacientes para o Hospital do Câncer de Rio Verde; 226 para o Hospital Presbiteriano Dr. Gordon; entre outros.

“Só temos acesso a esses dados por causa do SERVIR. Sem contar que ele possibilita transparência. Acompanhamos cada pedido, temos o espelho das negativas, as justificativas, o tempo de resposta, o lugar na fila onde o paciente está. Estamos ansiosos pela implementação do módulo de leitos eletivos, para que o CRE implemente”, resume Ana Cláudia Lira.

Regulação no HURSO

O Hospital Estadual de Urgências da Região Sudoeste, o HURSO, é a maior Unidade pública da região e já conta com regulação de leitos de urgência e emergência realizado pelo CRE.

São 1052 solicitações da Macrorregião Sudoeste encaminhadas ao CRE no período de 10 de junho a 3 de setembro. O tempo médio de regulação, tempo decorrido entre a entrada da solicitação no sistema até a finalização com a indicação da unidade executante, foi em média de 03h 21min.

Mirian Rodrigues, coordenadora do Núcleo Interno de Regulação do HURSO, afirma que a mudança com o CRE foi positiva. “Antes, os municípios solicitavam uma vaga para o paciente e esse município mandava para o SAMU. O SAMU mandava para o SISREG e ia para o Complexo Regulador. Eles analisavam e respondiam via e-mail. Esse processo demorava em torno de 3 horas”, revela.

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